quinta-feira, 18 de agosto de 2022

CONHEÇA NOAM CHOMSKY, O MAIOR INTELECTUAL VIVO E AMIGO ÍNTIMO DE LULA

 

Imagem: CUT. Lula e Noam Chomsky


Nascido na Filadélfia, Pensilvânia, filho de um famoso estudioso hebreu, Chomsky é talvez um dos mais conhecidos pensadores de nosso tempo. Sua obra foi fundamental ao desenvolvimento da linguística no século XX. Porém, é importante perceber, que o trabalho de Chomsky neste campo origina-se de um ponto de vista filosófico com uma longa herança. Ele também é conhecido pelos seus comentários políticos e sociais, os quais, até certo ponto, são também feitos com as mesmas crenças filosóficas. Após ser dissuadido a abandonar os seus estudos universitários pelo renomado professor de linguística, Zellig Harris, Chomsky escreveu a sua obra “Estruturas Sintáticas”, publicada em 1957, a qual influenciou os estudos nessa área a partir de sua publicação. Desde aquela época, Chomsky desenvolveu e modificou seus pontos de vista em muitos trabalhos importantes, particularmente em seu “Aspecto da Teoria da Sintaxe, Língua e Mente”, e mais recentemente, “O Programa Minimalista”. De seus muitos escritos políticos, os mais influentes são: “O poder Americano e os Novos Mandarins”, “Direitos Humanos e a Nova Política Estrangeira Americana” e “O Triângulo Fatídico: O Estados Unidos, Israel e os Palestinos”. Chomsky continua a escrever ativamente sobre linguística e política.


Imagem: arquivo pessoal. Noam Chomsky em defesa de Lula


O trabalho de linguística baseado em uma teoria racionalista da mente, a qual postula em oposição à tradição empírica originária de Locke ⸺ e que estava em evidência antes do trabalho de Chomsky ⸺ que a mente do ser humano ao nascer está muito distante de ser pedra em branco ou tabula rasa, pelo contrário, é condicionada em suas operações por certas estruturas inatas. A preocupação de Chomsky, certamente, é com o aprendizado da língua e as “estruturas sintáticas” que fazem parte de diferentes línguas. Na visão de Chomsky, todas as línguas compartilham, em um nível fundamental, uma estrutura universal, ou gramática, e essa gramática universal está instalada em nossos cérebros, em vez de algo que é aprendido por meio da experiência e do ensinamento.

A noção de uma gramática universal é relativamente simples. Há algo em torno de 5.000 variedades conhecidas de língua humana. De acordo com Chomsky, apesar das muitas diferenças formais entre elas, todas são condicionadas por certos parâmetros e princípios que são inatos e únicos à mente humana. Um argumento significativo para esta conclusão é o que alguns chamam de “argumento da produtividade”. Psicólogos experimentais geralmente confirmarão a velocidade na qual se desenvolve a habilidade gramatical nas crianças com dois ou três anos de idade, uma habilidade que vai além da escassa absorção da língua à qual elas têm sido expostas até o momento.

Consequentemente, seria plausível supor que a criança tenha uma vantagem inicial. As regras gramaticas não precisam ser aprendidas, elas já estão instaladas na mente: a exposição à língua; desde sua tenra idade, meramente aciona o gatilho, e a criança desenvolve sua competência linguística à uma velocidade acelerada.

Esse processo de instalação é, como outras faculdades cognitivas, um aspecto da nossa natureza humana. Chomsky vê isso como tendo implicações políticas positivas. Em vez de ser uma folha em branco do empirismo de Locke, ou dos agentes do existencialismo, nossa natureza nos previne de sermos subjugados por forças extremas livres e inconstantes. Nossa natureza determina que existam apenas certas estruturas políticas, as quais podemos tolerar. Sistemas políticos opressivos, como os retratados por Orwell em seu livro “1984”, ou por Huxley em seu “Admirável Mundo Novo”, não podem completamente moldar nossa mente. Nossos pensamentos não são, como psicólogos comportamentais do início do Século XX supunham, respostas meramente condicionadas a estímulos repetidos. A ideia de ser um “agente livre” está tão inserida em nossa natureza, quanto os condicionamentos que atuam em nossa forma de discurso.




Imagem: Noam Chomsky por "Acampamento Lula Livre"


Isso revela um desenvolvimento posterior da teoria linguística de Chomsky. Para ele, a natureza da mente humana é revelada pela natureza da língua. Não porque a língua é uma atividade unicamente humana, mas também porque a língua “é o veículo do pensamento”, e por isso colocada unicamente para iluminar a essência da mente humana. É importante lembrar que Chomsky vê a mente com princípios e processos cognitivos que fazem parte do comportamento humano e que Chomsky firmemente se prende a uma teoria que remonta ao “inatismo” de Leibniz e outros. De acordo com essa teoria, a mente humana é dotada ⸺ como foi dito ⸺ de certas propriedades inatas, que determinam como nós somos e o que nós podemos saber.

 

“A LÍNGUA É O VEÍCULO DO PENSAMENTO E, POR ISSO,

UNICAMENTE COLOCADA PARA

ILUMINAR A ESSÊNCIA DA MENTE HUMANA”

 

Chomsky é tão conhecido agora por seus numerosos escritos políticos, quanto pelo seu trabalho em linguística. Crítico constante da política estrangeira dos Estados Unidos e do seu envolvimento no Vietnã, no Camboja e nas guerras do Golfo. Ele é um partidário ativo de mudanças sociais radicais nos EUA, e continua o seu trabalho como linguista e filósofo teórico. Ele descreve sua visão política como “socialista libertária” ⸺ uma mistura de socialismo e anarquismo, assim por dizer.

 

Leituras Essenciais:

Estruturas Sintáticas (1957) e Aspectos da Teoria da Sintaxe, da Língua e da Mente (1965).

 

Análise, tradução e transcrição do livro de Philip Stokes: “Os Grandes Pensadores”.

 

Por Moisés Calado.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

SÃO TOMÁS DE AQUINO, O FILÓSOFO DA IGREJA CATÓLICA

 



O filósofo favorito da Igreja Católica, Santo Tomás de Aquino é lembrado principalmente por ter conciliado a filosofia de Aristóteles com a doutrina cristã. Nascido ao norte da Sicília, foi primeiramente educado na cidade de Nápoles e mais tarde em Colônia, proferindo palestras em Paris e Nápoles. São Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 pelo Papa João XII.

Enquanto muito de seu trabalho fosse de origem aristotélica, a expansão das ideias de Aristóteles também foi-lhe atribuída, por fazer muitas contribuições originais ao pensamento aristotélico, deixando-o entre os maiores colaboradores da filosofia ocidental cristã. Entre muitas de suas conquistas está o principal trabalho chamado “Os Cinco Caminhos”, ou provas da existência de Deus de sua suma teológica. “Os Cinco Caminhos” são a tentativa mais clara de provar existência de Deus através de argumentos lógicos.

No primeiro dos cinco Caminhos, São Tomás de Aquino diz que a existência de Deus pode ser provada ao considerar o conceito de mudança. Claramente podemos ver que algumas coisas no mundo estão em processo de mudança, e esta mudança tem que ser o resultado de alguma coisa a mais, uma vez que algo não se pode mudar sozinho. Mas a causa da mudança em si, uma vez que no processo de mudança tem que ser causado por outro fator, e assim por diante, infinitamente. Evidentemente, tem que haver alguma coisa a qual seja a causa de todas as mudanças, mas que seja imutável. Pois como São Tomás de Aquino diz: “Se a mão não move o bastão, o bastão não moverá nada sozinho”. O agente primeiro do movimento, ele conclui, é Deus.

 

“SE A MÃO NÃO MOVE O BASTÃO,

O BASTÃO NÃO MOVERÁ NADA SOZINHO”

 

No segundo caminho, argumentando de maneira similar ao primeiro, Aquino observa que as causas sempre operam em série, mas tem que haver uma primeira causa das séries, ou então nada poderia, de forma alguma, existir uma série.  Interessante disso é que, o primeiro e segundo Caminhos, afirmam que uma coisa não pode causar a si própria. Porém, essa é exatamente a sua conclusão: há algo que causa a si próprio chamado Deus. Os filósofos têm criticado essa forma de argumento dizendo ser confusa, desde que o tema a ser provado na conclusão é o mesmo tema negado no argumento.


Imagem: Apoteose. FASBAM


No terceiro Caminho, nota-se que as coisas no mundo vêm a ser e depois deixam de ser. Mas claramente nem tudo pode ser assim, pois se fosse, haveria um tempo onde nada existiria. Porém, se fosse verdade, então nada poderia jamais vir a existir, uma vez que algo não pode surgir do nada. Consequentemente, alguma coisa sempre existiu, e isto é o que as pessoas entendem como Deus. O primeiro, segundo e terceiro Caminhos de São Tomás de Aquino, são geralmente chamados de Argumento Ontológico ligados as análises de Santo Anselmo, O Doutor da Igreja. Em sua versão, nota-se que algumas coisas exibem níveis variáveis de qualidade. Algo pode ser mais ou menos quente, mais ou menos bom, mais ou menos nobre. Tais variações de qualidade são causadas por algo que contém a maioria ou a perfeita quantidade desta qualidade. Da mesma forma que o sol é a coisa mais quente e assim ser a causa de todas as outras coisas serem quentes, então deve haver uma “bondade” completa a qual faz todas as outras coisas serem boas. É claro que, esta que é a melhor dentre as outras, é Deus.

Finalmente, no quinto Caminho, ele se baseia na noção aristotélica de “telos”, finalidade. Todas as coisas se direcionam para o mesmo objetivo ou fim. Mas se guiado por uma finalidade ou objetivo, implica em uma mente que direciona ou pretende tal finalidade. Este que direciona é, mais uma vez, Deus. Versões dos argumentos Cosmológico e Ontológico de São Tomás de Aquino ainda são aceitas pelo Igreja Católica de hoje, embora os filósofos modernos tenham rejeitado quase que unanimamente “Os Cinco Caminhos” de São Tomás de Aquino.

 

 

Leituras essenciais:

Suma Contra os Gentios (1259-1264): Este é o trabalho mais importante de São Tomás de Aquino, e tem o objetivo de estabelecer, através de argumentos filosóficos, a verdade da religião cristã, provando a existência de Deus e discutindo a Sua natureza, a criação e a Sua finalidade, a alma, a ética,  pecado e a Santíssima Trindade.

Suma Teológica (1266-1273): É um trabalho imenso, nada semelhante a um sumário, na acepção da palavra. A primeira parte discute sobre Deus, a criação e a natureza humana; a segunda parte lida com a moral, e a terceira parte discute sobre Cristo e os sacramentos. São Tomás de Aquino deixou incompleta a terceira parte, pois certo dia teve uma visão mística, através da qual ele disse que tudo o que havia escrito parecia irrelevante.

 


Análise e transcrição do Livro de Philip Stokes: Filosofia ⸺ Os Grandes Pensadores.

 

Por Moisés Calado.


A Leitura como Processo de Transformação Humana.

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