quinta-feira, 20 de junho de 2024

MUAMMAR GADDAFI, O HOMEM QUE QUIS UNIFICAR OS POVOS



Muammar Gaddafi

Foto: Google imagens. Gaddafi.
 


Nascido a 1942 em Abu HadiLíbia Italiana, Muammar Mohammed Abu Minyar al-Gaddafi descende de família islamita sunita, dos Berberes Beduínos da Arábia. Desde muito jovem gostava de escutar os discursos políticos do líder egípcio Gamal Abdel Nasser, que chamava os povos árabes à unidade pan-arabismo e defendia a causa palestina, o que o ajudou a adquirir uma precoce consciência política.

Gaddafi fez seus estudos secundários na cidade de Saba, onde ele e mais três amigos criaram o grupo primeiro grupo revolucionário “Pan-Árabe”, com o intuito de derrubar o rei Árabe Nasser, futuramente.

Ao entrar para a política, sua atuação era voltada à unificação dos países do Oriente Médio e africanos, tentando consolidar o que denominaria de os “Estados Unidos do Saara”. Infelizmente o seu sonho de unidade entre os povos não prosseguiu depois da sua morte “precoce” (69 anos) causada pelos Estados Unidos da América.


Os seus planos foram diversos e muitos deles postos em prática. Aqui estão alguns exemplos dos seus feitos enquanto governou a Líbia e as razões reais pelas quais Gaddafi foi morto:


1. Na Líbia, a eletricidade era gratuita para todos os cidadãos.

2. Não existiam taxas de juros sobre os empréstimos, os bancos eram estatais, o empréstimo aos cidadãos por lei era de 0%.

3. Gaddafi prometeu não comprar uma casa para os seus pais até que todos na Líbia possuíssem uma casa.

4. Todos os casais recém-casados ​​na Líbia receberam 60.000 dinares do governo, com o dinheiro compravam os seus próprios apartamentos e formavam famílias.

5. A educação e o tratamento médico na Líbia eram gratuitos. Antes de Gaddafi havia apenas 25% de alfabetizados, 83% durante seu reinado

6. Se os líbios quisessem viver num sitio, recebiam gratuitamente eletrodomésticos, sementes e gado.

7. Se não puderem receber tratamento na Líbia, o Estado financiava mais de 2.300 dólares para hospedagem e viagens para tratamento no exterior.

8. Se você comprasse um carro, o governo financiava 50% do preço.

9. O preço da gasolina passou a ser de US$ 0,14 por litro.

10. A Líbia não tinha dívida externa e as reservas eram de 150 mil milhões de dólares (agora congeladas em todo o mundo)

11. Se algum líbio não conseguisse encontrar emprego depois da escola, o governo pagava o salário médio até encontrar emprego.

12. Parte das vendas de petróleo na Líbia era distribuída diretamente nas contas bancárias de todos os cidadãos.

13. A mãe que dava a luz recebia US$ 5.000

14. 40 pães custavam US$ 0,15.

15. Gaddafi implementou o maior projeto de irrigação do mundo, conhecido como “BIG MAN PROJECT”, para garantir a disponibilidade de água no deserto.


Líbia antes e depois da invasão dos EUA. Google Imagens.

 

 

Fonte: biógrafos David Blundy e Andrew Lycett.

 

Por Moisés Calado.


terça-feira, 26 de março de 2024

"O Corvo", de Edgar Allan Poe






Imagem: Arquivo pessoal. Edgar Allan Poe.


Seu texto mais famoso é o poema narrativo O corvo (The raven), de 1845. Nesse poema, o narrador conta um episódio assustador ocorrido à meia-noite, quando, sonolento, e com saudades de Lenora, a amada morta, ouve baterem à porta de seu quarto. Entretanto, ao abrir a porta, ele não encontra ninguém. Na sequência, ouve outra batida, e, ao abrir a janela, encontra um corvo. Passa, então, a conversar com ele, que sempre responde: “nunca mais” (“nevermore”), como demonstra este trecho do poema traduzido por Machado de Assis:



                                                                                                    O corvo


Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
“Há de ser isso e nada mais.”

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial Dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.

Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.
[...]

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize a teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o corvo disse: “Nunca mais.”
[...]

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o corvo disse: “Nunca mais.”

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

 


Por Edgar Allan Poe.

Tradução: Machado de Assis.

Reproduzido por Moisés Calado. 



 

A Leitura como Processo de Transformação Humana.

                                                                                                                                            ...